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1957

Biobairro – Jardim das Graças

VOCÊ SABE COMO O JARDIM DAS GRAÇAS TEM CAMINHADO PARA SER UM BIOBAIRRO?

 Foi através de uma iniciativa do Sr. Enrico Vezzani, um italiano dono das empresas Vomm e Zini, aqui do bairro, que tudo isso começou. Ele sempre foi ambientalista e tinha contato com diversas ongs como: a Uniágua, a Ecos do Vitória e a Planeta Verde. Seu amigo Agnaldo Zuane, também, já vinha tentando desenvolver, com a Uniágua e a Ecos do Vitória, um projeto ambiental ali atrás da Rosas de Ouro e do Roldão, área da antiga Chácara Zuane, mas como descobriram que o Rio Cabuçu de Baixo, que passava por ali teve sua rota mudada e ficou preso embaixo da Avenida Inajar de Souza as coisas mudaram de rumo e aquele projeto foi suspenso.

 Então, o Sr. Enrico compartilhou uma vontade que ele tinha. Ele queria transformar uma área muito feia, da Marginal numa praça bonita onde se pudesse falar das questões de meio ambiente. Como a Ecos do Vitória trabalhava nos bairros buscando a saúde deles, através do Programa de Biobairros, o Sr. Enrico convidou esta ong para coordenar uma ação que motivasse o bairro a se tornar mais saudável. Uma de suas grandes preocupações era a falta de árvores e áreas verdes. Foi assim que teve início o projeto “Navegando na Ecologia” baseado na implantação e adoção de uma praça localizada no encontro das vias Carlos Porto Carrero com Otaviano Alves de Lima (Marginal). Ela foi criada para ser uma sala de educação socioambiental a céu aberto. O barco era do Sr. Agnaldo Zuane, que havia comprado da USP, antes tinha sido um barco usado nos trabalhos do DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica). Sr. Enrico tem por hábito reutilizar materiais, fez isso na reforma de sua empresa, e quando viu o barco logo quis compra-lo e colocar na praça para dar a ele uma nova vida e para que esse trabalho motivasse, também, a restauração do Rio Tietê.

 As coisas foram planejadas assim: a empresa Vomm adotaria a praça legalmente, pois essa empresa produz máquinas para reciclagem. Eles já tinham reciclado até o esgoto da nossa cidade, transformando em adubo. Esse fato poderia ser um dos assuntos das aulas de educação mostrando que tudo pode ser reciclado. Então, a ong Planeta Verde foi chamada para cuidar da criação de um viveiro onde usaria o produto BOSS (Biossólido Seco e Sanitizado), um adubo criado pelo Sr. Enrico com o esgoto seco e outros resíduos, como cinzas, restos. A Uniágua se encarregaria de criar um folheto para divulgação do projeto. A empresa Zini poderia doar o alimento para os eventos educativos.

 Como a Família Vezzani é italiana tem por hábito comer nhoque no dia 29 de cada mês, então, o Sr. Enrico propôs que todas as coisas se unissem assim: a doação de nhoque todo dia 29 para os eventos-aulas de meio ambiente na praça Navegando na Ecologia. A Ecos do Vitória conseguiu apoio para criação um projeto de lei dando o nome Navegando na Ecologia definitivamente para a praça. Durante os eventos as ongs apresentariam formas de cura da Cidade e de recuperação do nosso Rio Tietê. Já foram realizados cinco desses eventos chamados NHOCOLÓGICOS.

 Em setembro de 2007 saiu a publicação da adoção da praça em Diário Oficial. A Rede Papa, de postos de gasolina, já havia feita a implantação paisagística e a Ecos continuou com apoio da Vomm. A transferência do barco foi feita em fevereiro de 2008.

 Cumprir a missão da Ecos ampliando a ação para o bairro todo, com o Programa Biobairro, não teria sentido sem a participação de todos os que moram e trabalham no ali. Era preciso, então, apresentar para moradores e empresas. Mas, por onde começar? A Associação de Moradores dos Jardim das Graças foi a primeira a ser contatada. Naquela época o presidente era o Sr. Severino Joaquim de Santana Filho, o Pino, que indicou e apresentou todas as lideranças da comunidade, bem como, contou a história da luta local pela moradia. Hoje esta entidade é presidida por Eunice Maria, a Nice, que tem participado de todas as reuniões e buscado informar toda a comunidade.

 Em 06 de março de 2008, na Sede da Escola de Samba Rosas de Ouro, foi realizada a primeira reunião com as lideranças da comunidade, com a Subprefeitura Casa Verde / Cachoeirinha e representantes do Fórum de Desenvolvimento Local – Agenda 21, os integrantes do projeto, como Sr. Enrico e a Ecos do Vitória, já participavam desse fórum.

 Nessa reunião as lideranças, principalmente as representantes da Associação Menino Deus, responsável pela creche, pediram que a Ong Ecos do Vitória, que coordena o projeto, entrasse em contato com as empresas de concreto e a pavimentadora do bairro solicitando que parassem de espalhar pó no ar, pois as crianças da creche e as que moravam nos prédios dos condomínios Minas Gás e Bela Vitória estavam constantemente doentes. E foi por essa razão que os contatos da ong com as empresas do bairro foi iniciado a partir das que geravam mais pó. Todas foram visitadas e estas apresentaram muitas transformações, que estão fazendo para reverter isso. Depois desse contato com essas empresas o Portal Zn na Linha e a Ecos do Vitória realizaram o levantamento de todas as empresas do bairro entre o Ribeirão Papaterra Limonge e a Av. Inajar de Souza. A contagem chegou a quase cem empresas.

 Nesse meio tempo a Ecos do Vitória foi facilitando outros encontros, como a visita dos alunos do Núcleo Sócio-educativo São José à empresa Zini Alimentos para contribuir com a formação dos jovens do curso de gastronomia que aquela entidade oferece. Realizou, também, palestras de educação socioambiental para estes alunos na sede do Núcleo.

 No Telecentro a parceria tem sido muito importante. Quando os trabalhos começaram o local não tinha banheiros e copa e a Ecos procurou a equipe do Secretário de Participação e Parceria, Sr. Ricardo Montoro (também fundador da Uniágua), pois essa Secretaria é a responsável pelos Telecentros. Logo a situação mudou e hoje o Telecentro já conta com essa infraestrutura. A equipe do Telecentro, por sua vez, abraçou a idéia de cursos de Inclusão Ecodigital, que foram realizados com contribuições da Ecos do Vitória no conteúdo e com palestras. Os cursos pilotos contaram com a participação dos funcionários das empresas Vomm e Zini e agora, que neste dentro deste processo já foi criado o banco de dados de todas empresas do bairro, o Telecentro pretende ampliar seus serviços divulgando para todas as empresas os cursos que oferece e também o que inserem as questões socioambientais.

 Infelizmente em 01 de fevereiro de 2009 aconteceu uma coisa que comprometeu o cronograma do projeto “Navegando na Ecologia”. O barco símbolo do projeto sofreu um atentado. Ele foi incendiado, num ato de vandalismo, e agora está precário, sem condições de restauração. O Arquiteto Paulo Rodrigues e a empresa Arquiteto Urbano já apresentaram novas propostas para que o barco se transforme numa obra de arte, mas a empresa Vomm no momento está levantando de recursos.

 Em 21 de março de 2009, no Telecentro reformado, foi realizada nova reunião com as lideranças do bairro, que assistiram à apresentação de slides demonstrando todos os pontos a serem trabalhados para que se chegue ao objetivo do Selo Biobairro, sendo: educação socioambiental e para o consumo responsável, correção da drenagem, implantação de ecoponto gerido por cooperativa de catadores para a coleta seletiva, arborização de grande porte, recomposição de matas ciliares, desenvolvimento de outros programas de geração de trabalho e renda, como gastronomia orgânica e uso de resíduos para fabricação de produtos como o Sabão Nossa Aldeia. Os participantes deram parecer positivo à continuidade do Programa Biobairro.

 No contato da Ecos com as empresas a Cimpor Brasil contou como tem grandes transtornos com as enchentes, pois já nos primeiros minutos de chuva forte a água sobe e inunda a empresa. Os representantes da empresa ofereceram ajuda técnica, bem como, de recursos para solução desta questão. A Ecos levou a questão a um grupo maior, com representantes do Fórum de Desenvolvimento Local. Este grupo contatou Sabesp, que informou a gravidade dessa situação e que esse problema também acontece com diversos munícipes. Sabendo que uma boa drenagem compreende: coleta de esgotos para tratamento, consciência da população em não jogar lixo nas ruas, rios e bueiros, implantação de biocalçadas, renaturalização do rio local e que estas adequações necessitam da participação de toda a sociedade civil para acontecerem por inteiro, era preciso muito mais. Foi então que para realização do Nhocológico Empresarial, no Colégio Padre Moye, vários outros parceiros uniram-se, particularmente a Ong IBRASAC, e foi um momento de reunião com diversas empresas. Naquele evento, após ser apresentado esse problema, ficou combinado que Subprefeitura e Sabesp iriam conversar com as empresas e ongs para buscar uma solução. Desde, então, já se realizaram alguns encontros e já começou a limpeza da rede de galerias pela Sabesp.

 Nas reuniões tem ficado claro que é preciso continuar com a educação socioambiental para mudança de hábitos principalmente em relação ao lixo. Também será preciso capacitar os catadores como agentes ambientais para que prestem um serviço de primeira. Será necessário instalar coletores seletivos pelo bairro e os catadores poderão administrar tudo o que é jogado fora. As empresas estão dispostas a dividir os custos destes projetos e quem sabe, com a ajuda da Subprefeitura Casa Verde / Cachoeirinha o bairro possa ter um Ecoponto Modelo em que os catadores possam se organizar como associação ou cooperativa e encaminhar todos os resíduos para reciclagem. Até a parte molhada do lixo pode virar biomassa, com os conhecimentos da empresa parceira VOMM, para geração de energia ou para adubo.

 Em outubro teve inicio o curso de saboaria com uso do resíduo de óleo de cozinha e as parcerias com Rosas de Ouro e Telecentro resultaram em plantio de mudas e novas palestras e cursos na área socioambiental.

 O Bairro Jardim das Graças era um pedaço do Rio Tietê cheio de vida no passado. Agora que a vida naquele pedaço de terra ficou frágil, depende de quem mora e trabalha ali fazer dele um lugar cheio de vida outra vez.. Bio quer dizer vida e Biobairro, bairro vivo. O Jardim das Graças é um bairro com calçadas largas e que está localizado a vinte minutos do centro. A história do povo é de união e luta por moradia e faz desse lugar um bairro especial, onde muita coisa já melhorou. Porque não melhorar? Só depende de querer.

 Sonho que se sonha só é um sonho que se sonha só.

Sonho que se sonha junto é realidade.