Resumo
A proposta deste projeto é transformar uma comunidade em educadora. A situação de facilitador no processo educativo será assumida por um coletivo de habitantes de determinada região. Sensibilizar e ao mesmo tempo tornar-se sensível para as questões ambientais de seu próprio meio, despertar para as necessidades coletivas do bairro, da cidade e, mesmo planetárias, com uma visão critica do contexto onde se inserem.
Um circuito com atividades – já realizadas no Bairro Parque Vitória, por iniciativas individuais – será criado para que as escolas as conheçam de forma conectada aos conceitos da Agenda 21 Local, que é o instrumento mundial para abordar as temáticas ambientais, permitindo a atuação da população e dos demais atores sociais na construção de um modelo mais sustentável de cidade, promovendo o debate e, conseqüentemente, o comprometimento em ações para a melhoria da comunidade.
Para isso é necessário revitalizar esses pontos tornando-os ecologicamente corretos e sustentáveis, além de realizar melhorias visuais e ambientais no bairro tornando-o turisticamente interessante.
A ONG Ecos do Vitória, fundada em 2002, para atender a demanda de outras comunidades (células), além do Parque Vitória, vem atuando no desenvolvimento de ações dentro do modelo Ecoponto de gestão ambiental (núcleo de gerência do bem-estar da célula/bairro) e na educação ambiental comunitária. Esse projeto vem em encontro aos princípios da ONG de responsabilidade compartilhada para a sustentabilidade planetária, assessorando a sociedade para a articulação de ações que reforcem a importância da localidade nas comunidades, como forma de aumentar a percepção dos ciclos naturais e, conseqüentemente, promover a melhoria do meio ambiente, entendido não só como conservação ambiental, mas também a interelação dos cidadãos com a comunidade.
Introdução
Há nove anos iniciou-se este caminho onde, através de ações práticas, são criadas novas políticas públicas para a capital buscando criar um modelo de bairro saudável, abrindo, concretamente, um caminho de fácil reprodução para os demais bairros, e mostrando a viabilidade de uma cidade saudável.
Em maio de 2000 iniciou-se, na comunidade do Parque Vitória, uma seqüência de ações baseadas na visão da cidade como organismo vivo, sendo cada bairro uma de suas células. O grupo de pessoas, de vários bairros, fundadores do Projeto Vitória e, depois, da ong Ecos do Vitória, foi adquirindo a consciência da similaridade dos sistemas de funcionamento da cidade com os sistemas de funcionamento do corpo humano.
O sistema circulatório pode ser comparado com o sistema de rios e corpos de água da cidade, que sob a ação da força da gravidade do planeta, são puxados para as partes mais baixas compondo o Rio Tietê, este caminho encontra-se obstruído quase em sua totalidade; o sistema respiratório pode ser relacionado com áreas verdes, hoje tão raras, não existindo um equilíbrio entre número de habitantes (consumo de ar) e número de áreas; o sistema digestivo e o excretor encontram-se totalmente desorganizados pela ação humana. A população consome mal: alimenta-se de produtos com excesso de agrotóxicos, fazendo, ainda, uso desnecessário de embalagens e produtos industriais que são fruto de processos altamente poluentes e, em seguida, despeja os resíduos na circulação (rios) e nos tecidos (ruas, terrenos baldios, várzeas, lixões ou aterros); sistema nervoso, onde as diversas percepções (tato, audição, visão, paladar, olfato e outras discutíveis) de cada ser ou instituição constituem a psicologia, a política e a personalidade de cada comunidade e do organismo e, ainda, o sistema reprodutor, que começa a apresentar anomalias, lembrando do episódio das crianças nascidas sem cérebro em razão da poluição em Cubatão e das alterações que vem ocorrendo na Serra da Cantareira como reflexo da poluição da cidade. Este só continuará gerando vida se todas as outras condições começarem a caminhar para o equilíbrio.
Diante deste quadro de organismo doente, foi criada uma metodologia de trabalho fundamentada no entendimento de que bairro comporta-se como uma célula do organismo. As ações foram planejadas para que uma primeira célula funcionasse bem e, então, servisse de modelo para as outras.
Neste modelo de gestão baseado na relação de célula-núcleo: compreende-se que a cidade de São Paulo como organismo, deve curar-se curando suas células. Em cada bairro, devem existir núcleos que gerenciem as suas diversas funções garantindo a manutenção e o desenvolvimento da qualidade de vida dos moradores.
O Projeto BIOBAIRRO ESCOLA pretende articular ações já desenvolvidas no Bairro, transformando-os em pontos de educação socioambiental correlacionados para que as escolas e demais comunidades tenham o Parque Vitória como um modelo de um micro organismo saudável dentro da cidade. Também, é uma ação para resgatar a auto-estima do bairro e dos seus moradores, provocando a participação coletiva na construção de ações e políticas públicas favoráveis para o meio ambiente, segundo os conceitos da Agenda 21.
